sexta-feira, agosto 31

Nesta severina.

Não vou amar
Não vou sofrer
Não vou chorar
Não vou nem pensar

Vou dizer que não amo
Vou dizer que não sofro
Vou dizer que não choro
Vou dizer que não penso

Penso em abdicar
Da carne que me consome
Do amor que me distrai
E some

Ao dizer que não quero
É o que eu mais quero
Ao dizer que não sinto
É que mais me traz conflito

Da ternura do espontâneo
Do diário da rotina
Me faço elegante
Nesta severina.

T.D.O.Marques

domingo, agosto 26

O terremoto apenas começou

Quando eu sumir, desaparecer
Eu vou estar o mais presente possível
Vou fazer da não presença
A maior causa de existência

Quando eu silenciar
Eu vou estar dizendo o máximo que posso falar
Pertubador silêncio gritante
De aguda sinfonia

E quando o chão parar de tremer
O terremoto apenas começou
Pois de fases e elementos
Eu sou todos, inclusive nenhum.

T.D.O.Marques

sexta-feira, agosto 24

Vai e vem interminável

Aquela areia branca
Uma imensidão azul
Vento lavando o rosto
Vai e vem interminável

Formado no interior do peito
Expelido em formas simbólicas
Abraço o imaginário
Imaginário que não me satisfaz

Pensamentos, imagens, sonhos
Transmitem a emoção
Emoção que já não tenho
Não mais sonho, apenas respondo.

T.D.O.Marques



terça-feira, agosto 21

Reação


Fez-se estranho o que era comum
Fez-se luxuoso o que era singelo
Fez-se da vida uma mera melodia
Fez-se amor de um simples esmero.

Passavam-se as horas
Passavam-se as estações
Passavam-se canções
Passavam-se eternos verões.

Tu fizeste complicação onde apenas o ar soprava
Tu quiseste aquilo que o fogo consumia
Tu esperavas que a terra simplesmente lhe contemplasse
Tu esperavas que a água brotasse e abundasse, onde tu apenas a confundia.

Foi rio
Foi mar
Foi oceano
Só não foi espontâneo

T.D.O.Marques

domingo, agosto 19

"... no céu a passear..."


Em campos de essência esmeraldina
Observo a grama a balançar
O rio a passar
E a vontade aflorar

Sol a meio talo
Um alaranjado engraçado
Um botão de laranjeira à exalar
O doce perfume de uma paisagem perfeita
Passarinho cantando estanque na porteira
O gado a passear
Ocê de alma serena
De cheiro adocicado
Com pequenos movimentos a me afagar

A luz do lampião
Um pequeno clarão no céu a passear
Uma estrela cadente
Um desejo ardente
Um beijo envolvente
Um sorriso quente
Nos pomos a deitar...

T.D.O.Marques

quarta-feira, agosto 15

"Ascendente aurora matutina
Traz contigo o sol de outro dia
Pra confortar a noite escura
Que em sua totalidade me afligia"

T.D.O.Marques

segunda-feira, agosto 13

"... e o existir é o que eu mais quero."

Eu me fiz presente em existência e pensei que minha existência de nada valia, vi você um dia parada, olhei para ti e fiquei magnificado, seu olho veio de encontro ao meu e fiquei simplismente abobalhado, um sorriso, um olhar baixo, um desvio de olhar, me era suficiente para pensar que ali existia uma existência maior do que havia.
Não era abstrato, não era concreto era o simples ser, de existir por existir, de ser por ser. Pensava que estava vendo muito, onde o nem um pouco existia, e estava vendo mesmo.
A visão me tirou o olfato, que me tirou o tato, que me tirou a fala e me tirou a imaginação, ai eu voltei a ficar abobalhado, mas a visão, oh... a visão ainda me é bela, e de mim ninguém tirava.
Formações de uma sinuosa harmonia, sem nexo, sem começo nem fim...
Só que o medo paralisa e traz a tona o sentimento de inexistência, pois meu único medo é o existir, e o existir é o que eu mais quero.



domingo, agosto 12

"meu único medo é o existir,
e o existir é o que eu mais quero..."